As imagens como representações de formas e conteúdos se impõem fortemente ao homem como uma atração perceptiva. Este fecundo contato tem o poder de provocar um comportamento empático, razão pela qual a experiencia visual gera uma atitude de interação e participação, finda por inserir “o artista” em mergulho em sua própria realidade
CEU Inácio Monteiro
Endereço: Rua Barão Barroso do Amazonas, s/nº – COHAB Inácio Monteiro
Tel: 2518-9048
1º Encontro
De: Cultura Inácio Monteiro
Para: Núcleo de vídeo
Enviadas: Sexta-feira, 18 de Junho de 2010 13:05:57
Assunto: atividades do grupo
Bom dia,
Vimos através deste email informar que nos dias 03 e 04 de 07/2010 serão realizados serviços de dedetização e desratização conforme publicado em Diário Oficial, portanto todas as atividades estão suspensas nestes dias.
Colocamos também que no dia 26/06/2010 será realizada nossa Festa Junina no pátio externo
Devido a festa Junina coincidir com a mesma data de inicio pratico do núcleo, decidimos realizar durante a festa, a divulgação dos núcleos, entregando um convite informativo com os dias e horários dos encontros. Esta divulgação partiu das reuniões preparatórias dos núcleos de pesquisa. A idéia era alem da divulgação dos convites e conversas, realizar uma instalação, onde se criaria uma dinâmica com os freqüentadores, tendo um projetor transmitindo imagens simultâneas do dia, e imagens do processo de criação do grupo. A proposta era realizar uma pratica, mas devido a falta de equipamentos técnicos, não foi possível esta intervenção, o que foi realizado foram imagens da divulgação e da festa, tendo a câmera todo o tempo percorrendo e captando cenas e acontecimentos

No ano de 1975, a Cohab-SP inaugura o Conjunto Habitacional Prestes Maia, construído sobre uma grande faixa de vegetação da Mata Atlântica, substituindo a antiga paisagem de uma importante floresta nativa por um cenário tomado por milhares de unidades habitacionais. Nesse período, as moradias populares construídas pela Cohab-SP “invadiram” bairros de outros distritos distantes da região leste, como Itaquera, Artur Alvim, Guaianazes (em glebas, de onde surgiu a Cidade Tiradentes) e Sapobemba, transformando a região em um dos principais locais de provisões de conjuntos de moradias populares do governo municipal. No entanto, a quantidade de unidades habitacionais não supriu a demanda agravada, dia após dia, a partir das inúmeras crises socioeconômicas que acometiam o país – estimulando a proliferação de ocupações irregulares e favelas em terrenos públicos e privados das periferias da região metropolitana. O conjunto habitacional Inácio Monteiro surgiu em 1987

2º Encontro
03 de Julho – Espaço Convívio antigo Pinel
Partimos de um esboço, pesquisado em um dia anterior
Com a informação de que o CEU estaria fechado dia 3 de julho, devido a detetização do espaço, marcamos nosso segundo encontro no Pinel no mesmo dia que seria realizada a atividade no CEU
Procedimentos pesquisados:
Propor uma instalação a partir dos equipamentos técnicos disponibilizados no espaço; Apresentar os equipamentos em dinâmica com o outro.
Objetos utilizados na proposta:
Câmera, projetor, aparelho dvd, gravador mp3, textos selecionados, microfone, amplificador, computador, papel, canetas coloridas, tesoura, fita adesiva, imagens do processo de criação e impressas, extensões, beijamim.
Enquanto propõe as instalações se tem as Instruções:
Ver: observar e ser observado; olhar o outro; formas de ver – usar objetos que proponham diferentes formas de ver
Assistir aos videos:
“CHOEGVAL” - doc. 6min. - Corpos Acumulados 2009
“SAPOPEMBA” doc. 6 min. Núcleo de atuação - MaterialTebas 2010
Pesquisamos trechos do material “esfera do olhar” projeto audiovisual investigado no projeto MaterialTebas Eldorrorados 11 de Setembro, o conteúdo pesquisado é de ensaios pré-montado, pastas com hipertextos, musicas, referencias de filmes, textos, fotografias.
Pesquisamos no site do grupo: Núcleos 2009, projetos, ensaios, teatro e vídeo. O que foi materializado no projeto Corpos Acumulados? Como materializar o projeto Tebas?
Ação pratica - Estímulos:
Se relacionar com o espaço; olhar o outro de olhos abertos e fechados; experimentar formas de ver; Quem é observador e quem é observado? buscar o espaço do outro;
Instruções a partir do texto (escrita em cartazes onde os participantes agem a partir da leitura)
Separar dois coros (um coro das tragédias-Antígona ou Sete contra Tebas e um coro do Fatzer) – como cada coro se movimenta e como isso é registrado.
Se comunicar apenas com palavras do coro (textos selecionados)
Conversa final sobre a pratica
Como é um encontro elaborado por três pessoas, onde as três realizam as atividades e as três tem a liberdade de interferir na condução da proposta no momento da realização?
Intervenção final do encontro:
- Em um microfone aberto, coros se manifestavam dentro de um personagem; depois outro e um terceiro;
- Um personagem com um canhão de luz;
- Fragmentos de performance em recortes de tempo

3º Encontro
O movimento de escolher um tema e estudar, discutir, pensar uma proposta pratica que expresse esse tema, experimentar a vivência pratica, conversar sobre essas relações e propor novos caminhos a partir desta vivencia.
Ir e voltar

“É conhecida a remodelação que a estrada de ferro operou não apenas em nossa percepção da geografia, mas, definitivamente, em nossa concepção do espaço e do tempo. Abrindo novos espaços, na escala às vezes de um continente, ele implica também um novo sentimento do tempo, em parte alguma mais legível do que na padronização dos marcos temporais aos quais está presa. Constituição de um novo espaço-tempo, fundado na destruição física do espaço-tempo tradicional, mas também na substituição da moral antiga ligada à natureza por valores novos, o desejo de aceleração, a perda das raízes. Destruição ambivalente, a estrada de ferro é, no mais das vezes, vista, no início do século XIX, como espécie de garantia técnica do progresso e da harmonia entre as nações.” (Jaques Aumont)
VIDEOINDU (primeira parte do vídeo do encontro) doc. 9min.
Neste encontro não havia participantes de fora do grupo, então decidimos realizar a proposta com quem estava presente. Em roda nos apresentamos, e falamos sobre o estar no projeto Material Tebas, sobre o grupo e a reflexão sobre o próprio processo a partir de uma contextualização verbal. Ao falar sobre o processo, reflete-se, questiona-se, pensa-se o movimento do próprio grupo. A apresentação inicial faz parte do exercício, pois é uma forma da pessoa pensar sobre si, propor uma forma de expressar sua pessoa, de conhecer o outro, uma forma muito tradicional talvez, mas, na perspectiva do teatro e vídeo é mais uma etapa, uma especificidade dos caminhos da linguagem. O encontro teve a filmadora em confronto simples com os participantes.
A proposta do encontro é chegar e preparar-se com o espaço, primeiro momento, olhar a voltagem das tomadas elétricas, verificar as condições ideais para poder disponibilizar os equipamentos no espaço.
VIDEOINDU (segunda parte do vídeo do encontro) doc 10min.
Instalação:
“O vídeo nasce e se desenvolve numa dupla direção. De um lado, chamamos de vídeo um conjunto de obras semelhantes às do cinema e da televisão, roteirizadas, gravadas com câmeras, posteriormente editadas, em que, ao final do processo, são dadas a ver ao espectador numa tela grande ou pequena. Mas, de outro, o vídeo pode ser também um dispositivo: um evento, uma instalação, uma complexa cenografia de telas, objetos e carpintaria, que implicam o espectador em relações ao mesmo tempo perceptivas, físicas e ativas, abrangendo portanto muito mais do que aquilo que mostram as telas. Algumas instalações de vídeo já não tem nenhuma imagem prévia ( pré-gravada), nenhuma fita magnética com uma “obra’ registrada, nenhum videocassete para “rodá-la”: há nelas apenas um circuito fechado, em que o espectador, ao deixar-se incorporar ao dispositivo, vê a sua própria imagem desdobrar-se no espaço perceptivo” (Arlindo Machado)
Fragmentos de discussões

Durante o exercício, um de cada vez era levado para fora da sala para, e, a partir do que foi experimentado, tinha que capturar, do pátio externo do Céu, imagens da cidade: como a cidade te invade?
Quando a pessoa volta para a sala, interfere na proposta de quem está dentro da sala
Como você sente a cidade no seu corpo? Traz essas palavras.
Abra os olhos e investiga formas de ler o texto com o corpo todo
Parado, explora formas de dizer o texto, dizer para o outro só com o corpo
4 º Encontro
Neste dia elaboramos um ensaio de teatro e vídeo a partir do ultimo encontro, e no caso de não haver participantes, assistiríamos as imagens do encontro passado, e discutiríamos formas de excussão do projeto. Foi o que aconteceu, por mais que divulgamos durante a semana no CEU e nos arredores, não compareceu nenhum participante, então a equipe conversou sobre o ensaio passado e depois assistimos as imagens do encontro. Partimos observando a manifestação de cada um nos exercícios, como perceber o que esta sendo realizado? Como materializar a pesquisa do projeto Tebas com a do núcleo? O que esta sendo investigado? A idéia era voltar a partir desses questionamentos ao encontro passado, tendo uma atenção nas propostas que funcionaram ou não, e o porquê não. Durante o encontro mantivemos uma aproximação com nossas próprias imagens, já que a câmera estava presente o tempo todo, ao nos rever enquanto sujeito da ação, as imagens revelam o desconhecido, nossas cegueiras diante de uma realidade complexa, mas possível de ser constelada.

5º Encontro
Fomos ao CEU nesse dia e não havia participantes. Discutimos sobre as atividades do núcleo, onde estava presente Luzimara, Marcelo, Ricardo, Anderson e Pablo. Conversamos com o pessoal da equipe técnica do CEU, pedimos a eles, informações sobre outros aparelhos culturais da região para que pudéssemos divulgar nosso trabalho em outros locais. Um dos técnicos informou que este período os freqüentadores do CEU são poucos. Pedimos a eles que divulgassem nosso trabalho, entre grupos de hip hop, skatistas, pessoas que pratiquem outras atividades e que tenham interesse em produzir um vídeo, para que possamos dialogar e confluir nossas propostas.
Na volta do CEU, filmando o entorno, ruas, casas e prédios, lugares de lazer, quadras, campos de futebol e ainda o que resta da mata, sugada pela extensão da cidade, avista-se uma pedreira, nela esta contida explosões de constelações, as quais gritam em silencio por um novo amanhecer. Dentro do ônibus uma senhora caminha, a passos lentos, senta, ao longe na pedreira avista-se a ruína que um dia foi montanha, ao me ver filmando a ruína a senhora fala:.....
Ir de encontro ao real, sem uma idéia pré-estabelecida, deixar que os fatos inesperados aconteçam. Há uma vontade de que algo me surpreenda, um sorriso, uma conversa. Ir ao encontro do outro. Há alguém a ser encontrado.
Como encontrar?Quem é esse alguém? Onde habita? Como identifica-lo?
Como deixar o real falar? Como caminhar por terras desconhecidas?

Com o crescente avanço de modernização capitalista na década de 50 desemboca inúmeras crises em pequenas e grandes cidades do interior do Brasil. Com a promessa dos grandes centros urbanos de trabalho, moradia, cultura e lazer, ocasionou um processo de migração para os grandes centros urbanos na esperança de melhores condições de existência. Por volta da década de setenta, agudisou-se a crise ‘grande’ mundial, tangida por vários vetores. No plano do continente Americano, o jogador de xadrez, assistindo sua própria derrota, recolheu as pedras do jogo, e ditou as novas regras para um novo jogo, que pudesse vencer. A América Latina, incluindo o Caribe e América Central, sentiu de imediato o braço forte de quem mandava. As repúblicas das bananas, a um só vento caíram como pedras de dominó: Brasil, Argentina, Chile e outros. Todos estes países viveram uma enorme e avassaladora rupturas institucional, mostrando que as ciências, as artes, as instituições, o povo e por fim todo o sistema democrático, cederam do mesmo modo que as prostitutas o fazem ao venderem seus corpos
O modelo Neoliberal produz uma enorme exclusão social, aumenta a pobreza e gera desigualdades o que resulta numa extrema desagregação social, que atinge a todos os níveis da sociedade no âmbito do sujeito, faz ebulir todos os seus sentimentos ‘do sujeito’, e ao mesmo tempo criando um vazio que o deixa em completo abandono e solidão. O sujeito assim fragmentado, fragilizado, representa a vítima perfeita da exclusão social, e paradoxalmente pronta está para reproduzir a mesma “desgraça” e desesperança que vive
A família é a primeira grande vítima da fragmentação imposta como efeito decorrente do modelo Neoliberal. Com a chegada da crise de 1970, foi tentada uma ‘redescoberta’ da família como fonte de bem estar social, cujo objetivo maior sem dúvida, era o de reduzir os riscos da desagregação familiar, mantendo a família como reprodutora da ideologia dominante, disciplinando-os e formando-os as novas gerações nos valores que dão sustentação a sociedade vigente
Viu-se então, que a desagregação ou ruptura social crescente, não poderia mais ser reparada pela família, pois, a pobreza atinge profundamente as relações familiares. A nova realidade envolve outros níveis de complexidade, um deles é o aumento do abandono juvenil e das transgressões. As classes dominantes ao se sentirem ameaçadas em seu ‘status’, passa agora a cobrar a atenção e atitudes do governo de repressão e de contenção da pobreza, uma vez que a fome e a miséria em geral e desigualdade de renda e de acessos aos serviços e ao consumo produz violências que estão a jogar para cima desta classe social medo e inseguranças

Encontro/desencontro
Após varias perambulações ao redor do CEU, em busca de participantes, decidimos re-elaborar nosso plano de atuação. Conversamos então, com a equipe técnica do CEU relatando o acontecido, e que após finalizarmos o trabalho, entregaríamos o que foi realizado naquele período, eles foram bem compreensivos com a situação e disseram que não é o primeiro caso de grupos que propõe atividades e não comparece ninguém, já algum tempo isso vem ocorrendo. Após esse fato, os próximos encontros passaram a ser realizados no Pinel, já que no Pinel temos uma maior estrutura para continuar a pesquisa e materializar o que foi realizado nessa primeira fase
Nessa nova/velha fase do núcleo, percebemos que a demanda do grupo era intensa, com uma grande quantidade de propostas realizada com vídeos e fotos, assim pensamos em expandir o conteúdo investigado pelo núcleo em dialogo com o processo de criação do grupo. Após uma longa jornada de semanas investigando, digerindo e construindo vídeos textos e hipertextos, chegamos a finalizar algumas propostas, no mesmo período em que as atividades aconteciam. Alguns dos trabalhos fazem parte da pesquisa dos núcleos de atuação, artes visuais e direção e dramaturgia. Nesses vídeos investigamos formas de montagem que dariam a sustentação para a dramaturgia dos vídeos, sem perder o foco com a proposta dos encontros. Após a finalização dos vídeos, publicamos no site de hospedagem de vídeo youtube, e em seguida estruturamos em forma de hipertexto na pagina do site do grupo www.trupedechoque.org .Tentávamos com isso fazer com que os participantes das atividades dos núcleos (re)conhecessem seu processo dentro dos encontros, e que a partir dessa percepção, mergulhassem junto com o grupo nas propostas de cada fase
A seguir alguns dos trabalhos realizados e publicados na internet:
SAPOPEMBA – doc. 23 min.
Ensaio do núcleo de atuação, realizado no CEU Sapopemba – Zona Leste
SAPOPEMBA - parte 1
SAPOPEMBA - parte 2
SAPOPEMBA - parte 3
NUCLEO ARTES VISUAIS – doc 9 min.
Ensaio do núcleo de Artes Visuais realizado no Espaço carequinha – Zona sul
Montagem do primeiro dia do núcleo:
NUCLEO DIREÇÃO E DRAMATURGIA
Ensaio realizado no CEU Lajeado – Zona Leste
Primeira parte do vídeo – 10 min.
Segunda parte - doc. 9min.
Terceira parte – doc. 10 min.
http://www.youtube.com/watch?v=OBsC4GM-f2o
Quarta parte – doc. 9min.
http://www.youtube.com/user/2trupedechoque#p/u/0/VHYr5bdm-8o
Participantes do núcleo de vídeo 2010
Luzimara Azevedo/Marcelo Fernando/Pablo Ricardo/ Anderson Ferreira/ Ricardo Severino
Labirinto Rizomatico
Os vídeos depois de publicado na internet, foram sendo retrabalhados junto com outras criações dos encontros, assim como textos, fotos e áudios. Com o acumulo da investigação das criações dos núcleos, imagens, textos e sons do processo investigativo Material Tebas, exploramos as estruturas hipertextuais das paginas, seus enquadramentos e durações, cortes e cores. Este significado de continuidade nas imagens utilizando som e imagens fixas conduziram as observações às outras possibilidades de percepção com outras linguagens. Para os que acessam o site, sejam eles artistas, estudantes e pesquisadores de musica, teatro, vídeo, artes visuais, através das leituras dos textos, fotos, áudios e vídeos, será possível conhecer o trabalho e utilizar de métodos, experiências e referencias abordados e pesquisados pelo grupo
