INSTALAÇÃO

“A casa é uma das maiores (forças) de integração para o pensamento, as lembranças e os sonhos do homem. Nessa integração, o principio de ligação é o devaneio. O passado, o presente e o futuro dão a casa dinamismo diferentes, dinamismos que não raro interferem, às vezes se opondo, às vezes excitando mutuamente. Na vida do homem, a casa afasta contingências, multiplica seus conselhos de continuidade. Sem ela, o homem seria um disperso. Ela mantém o homem através das tempestades do céu e das tempestades da vida. É o corpo e é a alma. É o primeiro mundo do ser humano. Antes de ser jogado no mundo, como o professam as metafísicas apressadas, o homem é colocado no berço da casa”. (Bachelard, Gastón - A Poética do Espaço)





A Proposta da instalação, surge no primeiro ensaio aberto do projeto Tebas. Realizar uma instalação artística é convidar o publico a “viajar” adentro ao processo de criação do grupo, permitindo a perambulação itinerante onde o viajante fica livre para observar e interagir com o espaço.
Os ambientes da instalação são compostos de ruínas, detritos do processo de criação, fragmentos de lembranças e de sonhos, sendo vagueado em rotas distintas que se entrecruzam, se alternam e se transformam, que se encadeiam e se compõem em diversos percursos constelados, se constituindo um marco na passagem desse viajante o qual ficará como uma indicação, para outros, de que ele esteve ali.

Em seus princípios básicos a instalação pode se caracterizar pelo conjunto de linguagens que ela suportar. Para a pesquisadora Luciana Bosco, a instalação “é uma obra sem limites, ela permite qualquer tipo de suporte em sua produção, já que mais que um suporte é uma poética, uma verdade em si, que promove a criação plena de mundos múltiplos, verdadeiros em sua própria essência, mesmo que imaginários e/ou virtuais em sua concepção”.
A autora coloca que mais que um suporte é uma poética, pensamos na poética para alegorização do espaço da instalação, construir um espaço onde os lixos tecnológicos descartados assim como livros, câmeras, computadores, sejam utilizados e reutilizados durante a viagem, recriando uma simbologia do percurso, através da resistência no perambular por terras interconectadas, possibilitando assim alargar as percepções do viajante.

Em seu livro Fenomenologia da percepção, Merleau-Ponty, nos aponta os problemas gerados em alguns casos pela percepção, e fala que “recordar-se não é trazer ao olhar da consciência um quadro do passado subsistente em si, é enveredar no horizonte do passado e pouco a pouco desenvolver suas perspectivas encaixadas, até que as experiências que ele resume sejam como que vividas novamente em seu lugar temporal. Perceber-se não é recordar-se”
Levantamento pertinente em nosso caso, já que trabalhamos na instalação com diversas linguagens assim como fotos, vídeos, desenhos, textos e musicas do processo de criação do grupo. Pensamos estruturar essa criação não como um “recordar-se”, mas a partir das interligações dessas linguagens em dialogo com a luz e o odor do espaço, provocar e mexer com os sentido do viajante, sejam em situações agradáveis ou incomodas.





Por termos boa parte do processo de criação do grupo em vídeo, focalizamos em alguns espaços, trabalhar com a proposta de vídeoinstalação. Para Arlindo Machado,

“o vídeo pode ser também um dispositivo: um evento, uma instalação, uma complexa cenografia de telas, objetos e carpintaria, que implicam o espectador em relações aos mesmo tempo perceptivas, físicas e ativas, abrangendo portanto muito mais do que aquilo que mostram as telas. Algumas instalações de vídeo já não têm nenhuma imagem prévia (pré-gravada), nenhuma fita magnética com uma “obra’ registrada, nenhum vídeocassete para “rodá-la”: há nelas apenas um circuito fechado, em que o espectador, ao deixar-se incorporar ao dispositivo, vê a sua própria imagem desdobrar-se no espaço perceptivo”.

Algumas perguntas que nortearam nossos questionamentos na criação de idéias para a instalação, foram, quais os sentidos que queremos para o espaço? Quais percepções queremos que o público receba? Quais sensações? Na montagem do espaço, utilizamos tudo que tínhamos de materiais em desuso, assim como televisores antigos que abrimos alguns para também utilizar as placas e fios internos; monitores, teclado, mouse, CPUs de computadores que além de utilizarmos como cenário permitiu que o público fosse transportado para ambientes inter-imaginários.
Estruturamos toda essas idéias no espaço do Convívio, local cedido pelo Pinel -que faz parte de nossa base - ser o centro dessa proposta. Neste espaço, formamos uma equipe a qual é responsável em trazer idéias de como estruturarmos esse espaço: visual, auditivo, olfativo;






Instale, se instale - Parte 1
 


Convívio,
Ao entrar no espaço, o viajante encontra uma caverna de cuja entrada é controlada por câmeras de segurança, com uma tv exposta na entrada o viajante é o observador e o observado. Adentro a caverna, em seu 2º espaço tem-se instalações dos detritos consumidos do processo de criação, ao fundo projeções de alguns vídeos dos núcleos, ensaios e as perambulações do grupo em busca de espaços.

A estrutura dos espaços estão construídos permitindo a perambulação interativa:
1. Espelho (este é o eixo da zona central, porta de entrada, é a zona do silêncio, onde o perambular é solitário em diálogo com sua própria imagem)
2. Pinel (zona de investigação, criação e manipulação – zona de conhecimento do trabalho do espaço ocupado, ambiente de vigilância, controle e contradições). Eixo do aniquilamento dos sonhos e miragens.
3. Ciborgue (zona onde se tem o sinal da presença dos outros, mas sem contato direto). Tem-se papel, caneta e computador a disposição para o viajante ‘colaborar` com sua presença...
4. Construa sua instalação...5. 6. 7.

Qualquer um desses espaço o viajante vaguea sem uma atração principal, já que todas encontra-se submersas em uma fragmentação de vozes abafadas, controladas, manipuladas, tendo a cada passo, uma nova luz, um outro som, outro texto, outro habitar. Em algum dos espaços presentes o viajantes poderá acumular essa viagem e depositar suas singularidades em dispositivos espalhados pelo espaço, assim como câmera, caneta e gravador de áudio. A mente incorpora o objeto dentro de si, passando pela percepção, após essa passagem ela é substituída por outra, a partir desses detritos o viajante é transportado para um ambiente supra-imaginário, o qual carrega esse caos em sua viagem.





No dia do ensaio aberto, foi interessante observar como o publico dialogava e observava o espaço, tendo alguns deles contribuindo com o processo de criação, seja através de textos, fotos e filmagens, seja através de falas comentários ou criticas.
Um dos textos escritos:

Naufrago de um sonho

Lutei, lutei, contra ondas rebeldes,
em meio a tempestade sagaz e cruel
Meu barco a deriva a procura de um ancoradouro
em um cais depois de horas em uma tempestade se amarrou,
e eu cheguei em uma ilha,
e la encontrei uma mulher nativa do pacifico sul.
Seus olhos azuis marejados de lagrimas. Envolveu-me como uma neblina púrpura.
Choveu muito, e o que posso lembrar é que o céu chorou por nós.
É como acordar de um sonho que poderá se transformar em pasade-lo,
mas não haverá ruínas,
só o que for sólido.
(Getulio Ferreira - 29 jan 2011)


Este texto encontra-se anexado no espaço em que foi escrito, e foi lido na rádio do Pinel pelo Núcleo de Artes Visuais em uma de suas propostas. Abaixo Getúlio (interno) escrevendo o texto e Carmem (integrante do grupo) ao lado.






A harmonia invisível tem mais vigor de articulação do que a visível (Heráclito)

Vídeo da Instalação 






Espaços...


É pelo espaço, é no espaço que encontramos os belos fósseis
de duração concretizados por longas permanências.
(Bachelard. A Poética do Espaço)


A proposta da instalação nos “ensaios em detritos”, é a viajem permanente entre fronteiras, sejam elas individuais ou coletivas, conscientes ou inconscientes, estando livre para o perambular entre os detritos e ruínas do processo de criação do grupo, assim como os núcleos de pesquisas, os ensaios e demais atividades realizadas no Pinel.



A estrutura as quais trabalhamos hoje nos espaços das instalações, sejam elas no convívio, local onde iniciamos mais a fundo as pesquisas e praticas, ou seja, nos locais onde ocorrem os ensaios, é um desdobramento do trabalho investigado no decorrer do processo; ela se caracteriza pelas experiências construídas e relacionadas dos integrantes do grupo durante o processo de criação, tanto dos núcleos de pesquisas, ensaios e estudos, sendo assim, construídos nestes espaços uma arquitetura utilizando objetos (ou restos de objetos) acumulados no decorrer das experiências artísticas pessoais ou coletivas.
Desde quando começamos com a ‘idéia’ de aprofundar essas pesquisas, alguns textos acompanharam as reflexões teóricas para irmos se aproximando do assunto, um dos textos sugeridos foi, “A dramaturgia da Luz”, que traz elementos e questões os quais estudamos desde o projeto “Corpos”, sobre a luz no teatro. “A luz pode modificar o corpo ou o espaço, interferir diretamente no olhar de uma pessoa quando vê o mesmo objeto ou espaço iluminado de formas diferente”. Outro texto proposto foi “O corpo na arte: dos anos 1970 à biocibernética atual” de Lucia Santaella, texto o qual dialoga com o tema do corpo e das tecnologias, sendo assim, as mídias do corpo, do som e da imagem, tornam-se, por si mesmas, o discurso cênico. Por mais que essas leituras venham a contribuir para a pratica, pensemos no que diz Hermann Hesse, “A verdade tem de ser vivida, e não ensinada. Há que se preparar para a batalha!” .Uma situação ou algo se torna ‘verdadeiro’ quando canalizamos esforços e energias para a concretização do acontecido, neste ponto, é importante mantermos essa comunicação, para assim tentarmos visualizar o que estamos ‘fazendo’; precisamos do diálogo para ir estruturando as idéias, tanto na base teórica em diálogo com os conceitos estudados, quanto na base prática dos que a executam. Estas reflexões são situações as quais precisamos irmos nos atualizando, conhecendo mesmo que autodidaticamente as funções as quais executamos, fazendo assim, estamos preparados para os desdobramentos que vão ocorrendo durante o processo experienciado.






Instalação Igreja


“(...) não podemos abordar qualquer expressão que se coloca como manifestação cultural e artística sem vermos que ela se sustenta sobre um tripé de questões estéticas, sociais e técnicas. E que a integração dessas questões dá corpo a um ofício que, a par de produzir seu arte-fato, se pensa a si próprio”.
(Jorge O. Caron)

Durante a primeira temporada do “ensaio em detritos” um dos trabalhos da instalação, ocorreu no espaço da Igreja, localizada próximo a entrada principal do Pinel. Nos primeiros ensaios abertos, começamos a trazer elementos cenográficos, sonoplasticos, figurinos e iluminação, que complementassem os conteúdos investigados pelo grupo, para assim, no decorrer do processo ver o que pode ser dialogado, provocado ou potencializado nos atores dentro do espaço.





O céu esta em chamas, o mar cospe em nós

Estudar e praticar a cenografia, iluminação, figurino e sonoplastia, foi a tarefa para chegarmos em alguns resultados. Ousadia, quando não se tem um estudo aprofundado das questões; então, que troquemos idéias, conversas, diálogos do que podemos propor e assim chegar a um consenso. Formou-se uma equipe. Pablo, Valmir, Marcelo, Ricardo e Maria são os que fazem parte da estrutura técnica/artística, junto a colaboração dos demais integrantes do grupo. O espaço é amplo, com grandes chances de não darmos conta do recado, mas quando se tem vontade e gosto pela coisa, tudo acontece...Carregar equipamentos de luz, som e figurinos; cabos, projetores e interconecutores; barracas, cadeiras, cobertores, mesa do lanche; distancia? Do espaço de nossa base onde guardamos os equipamentos, que é o convívio, até a igreja tem em torno de uns 400 metros, sem contar as subidas e decidas de escadas e morros...Tudo que utilizamos em cena já esta no espaço...começamos a montagem...




A cenografia e o figurino, por resultar em objetos, podem ser considerados como arte mesmo fora do espetáculo, fora do contexto e serem apreciados de forma independente. Têm vida própria. A iluminação e a sonoplastia, ao contrário, não tem sentido fora do espetáculo. Resultam em sensações visivas e auditivas que devem seguir a atuação - Leonardo Pavanello







No espaço que fizemos as cenas, além das instalações que cada dupla fez dos túmulos de Antígone, há uma instalação que o grupo faz no espaço, principalmente a equipe técnica, que faz uma instalação de luz, assim como outras diversas instalações e interferências no espaço. Também há uma tenda com equipamentos de luz e uma outra tenda com instrumentos musicais que todos podem utilizar nas cenas. (Luzimara)





A luz por si mesmo já carrega sua própria dramaturgia através dos ângulos, intensidade, cor, temperatura e calor




Artistas se utilizam dessas propriedades da luz para determinar espaços; evidenciar e ocultar; controlar o resultado visual das formas; modular o tempo; reforçar e criar “climas” emocionais; criar sensações de frio, calor, condições climatológicas, estados mentais, etc. aproximar e distanciar seres, objetos, etc. - A INFLUÊNCIA DA ILUMINAÇÃO CÊNICA NA ILUMINAÇÃO ARQUITETURAL
Valmir Peres






Iluminação é a arte de iluminar, ou seja, criar sensações visivas com a luz...




A forma como o ator é iluminado também é importante, pois iluminar o ator do alto ou de baixo, de um lado ou de outro, muda a forma como vemos este ator e isto deve ser consciente no ator para que ele utilize da melhor forma possível as diversas máscaras que se estabelecem.




A cena é evolutiva, inconstante, viva, orgânica. Cada movimento minúsculo do ator inaugura um novo tipo de espacialidade, subtrai sombras e instala brilhos nas superfícies visuais do corpo, cria pontos de absorção e reflexão diferentes do estado do corpo há um milésimo de segundo atrás. Tempo e espaço tornam-se vivos, em presença da percepção externa. LUZ CEGA, PORQUE NÃO SABE VER
Roberto Gill Camargo






Instalação Convívio


...o lugar é uma área mágica e incompreensível...


Ao entrar no espaço, tem-se uma televisão com uma câmera de segurança apontada para o viajante. Uma narração é ouvida com dizeres sobre a instalação, o qual é dialogado com o viajante... o texto busca uma comunicação e interação com o andante a respeito de idéias de fronteiras...




Em seu segundo espaço tem-se uma vídeo-instalação, projetando um vídeo do primeiro ensaio aberto do grupo no processo tebas. Este ambiente é plasticamente alegorizado com explosivos e armas pelas paredes, ao teto tem-se sapatos, tênis e chinelos, simbolizando as vítimas de execuções entre fronteiras, tendo ao fim desse caminhar um aparelho mp3 relatando as causas dos mortos.
Pensamos assim buscar um diálogo com o processo de pesquisa do grupo. O texto se refere às tentativas de passagens entre Brasil e Bolívia; Brasil e Paraguai; México e Estados Unidos; ao lado do mp3 um jarro de flor brilha com as luzes refletidas pela projeção do vídeo...




Caminhando adentro os detritos uma cortina de teclados, mouses e fios separam o arcaico do moderno.






A temperatura da luz (néon) ligada a um labirinto de linhas interconectam o viajante em uma dimensão futurista, onde modifica a sua visão, modifica também a sua sensação, ao assistir e ouvir através de um fone, o bloco de carnaval do Pinel “Pé pra fora”...
http://www.youtube.com/watch?v=Rjij6cxEJUA&feature=player_embedded
Após o enredo, os raios interconectando de um processo a outro é intercambiado entre cartas, desenhos e fotos coladas nas paredes de um corredor, são imagens de atividades dos núcleos no Pinel, as quais gritam para os viajantes seus desejos, sonhos e idéias, em uma mudança de sentidos, sensações sonoras e visuais.




Próxima parada, uma luz direciona o viajante a experiênciar outra proposta sonora; o texto tem a narração de um jovem carioca que executou 12 adolescentes em uma escola no Rio de Janeiro. Ao lado dezenas de cartaz acumuladas durante a existência do grupo, ficam expostas para leitura...assim além do viajante ouvir o áudio proposto fica em aberto para leituras complementares...
Próxima parada, uma sala lacrada com barbantes, impedindo a entrada do viajante, ali aconteceu algo ainda incompreensivo, avistando um pano preto cobrindo algo em formato de um corpo, 3 velas iluminam um vaso de flor...




Instalação Casinha

Ruínas. Em Corpos Acumulados parte da encenação se dava em um mundo em ruínas. Hoje, com o olhar orientado a partir de imagens e formas de uma novo pesquisa, nosso trajeto passa outra vez pela conhecida casa. As velhas paredes, tetos e espaço serão remodelados, resignificados de acordo com as necessidades da nova proposta




























Julho/2011





...encontros,

Desde nossa chegada ao Pinel (2008), sempre tivemos funcionários ou pacientes que acompanham o trabalho do grupo e assim contribuem de alguma forma com o processo de ocupação, seja com palavras, companhias ou brincadeiras. Outro dia conheci Luiz, um funcionário que morou na casinha (a qual utilizamos hoje em ensaios) a mais de trinta anos. Seu pai, um antigo funcionário do Pinel, criou seus filhos aqui dentro. Dentre as diversas histórias que Luiz conta do espaço, fala da época em que Pirituba era só mato, e os carros de hoje, carroças, "tempos bons quando colecionava vinil, conheço tudo dos anos 60 e 70, naquela época, pra você curtir uma festa, se tinha quer ir lá pro centro da cidade, ajuntava aquele bando, e ia", então pergunto se ainda tem a coleção de discos, "empresta pra um, empresta pra outro, vendi um porção, na hora a gente não percebe que aquilo faz parte da gente né, quando você vai si tocar, já passou o tempo", e as bandas? imediatamente ele escreve em uma folha nomes de bandas e musicas, assim como, Manfred Mann, Lay, away, To sir with Love, Memorie’ s Forever, Proper Stranger, Every body is talking, The Walkers, Band Aid, e mais uma centenas de musicas e bandas que eu nunca ouvi falar e que tanto tocou na casinha em ruínas, a qual hoje investigamos. (Marcelo - agos/2010)

Luiz (funcionário do Pinel) em depoimento fala de algumas fases da vida, de quando morou na casinha, a mesma em que hoje são apresentadas os Detritos em ensaio







Instale, se instale na instalação

 “Alguém me disse – já me não lembro quem – que era maravilhoso encontrar ao despertar-se, pelo menos em geral, tudo no mesmo lugar em que se tinha deixado na noite anterior. Mas quando alguém dorme e sonha em um estado pelo menos na aparência totalmente diferente do da vigília, existe, como aquele homem afirmava com plena razão, uma espécie de presença de espírito infinita ou melhor dito de alerta espiritual para, como com os olhos abertos, perceber de certo modo todas as coisas no mesmo lugar em que se deixou à noite. Por isso o momento de despertar é o momento mais arriscado do dia. Uma vez que se passou por ele sem que se tenha percebido que nada foi mudado de seu lugar, pode alguém encarar o dia com confiança.” Kafka



A proposta da instalação nos “ensaios em detritos/2012”, é a viajem permanente entre fronteiras, sejam elas individuais ou coletivas, conscientes ou inconscientes, estando livre para o perambular entre os detritos e ruínas do processo de criação do grupo, assim como os núcleos de pesquisas, os ensaios e as demais atividades realizadas no Pinel. Iniciamos a pesquisa através do imaginário em que o real, as situações e circunstância se transformassem de acordo com a proposta coletiva. Ao longo das apresentações percebemos a inclusão do processo da instalação não apenas aos que pesquisavam e executavam a instalação, mas a pesquisa se expandiu e foi incorporada como mais um elemento de pesquisa dos próprios atores que apresentavam as cenas. nunca vemos a mesma coisa, tudo se transforma Sucessivas perguntas e respostas; fluxus de ensaio para ensaio. O acúmulo de experiências; oportunas instalações a se pensar; o especial grita através de suas sensações; calamidades; mediações com o publico; a entrada do viajante relata e registra o tempo. Olhar o ensaio por outro ponto de vista; assistir o ensaio com outra perspectiva, as luzes, os sons, as imagens, o dialogo, direcionar o olhar, conduzir sensações, voltar, caminhar para a próxima proposta…andante, caminhemos… Diversas cenas, no decorrer do processo traz esse inconsciente em estados alterados psicamente; quando trabalhamos com um coletivo, as ações são construídas a partir de um amadurecimento de um todo, desde entendermos as partes as quais nos propomos, ocorrendo assim, uma apropriação pessoal, para posteriormente ser manifestado para o coletivo. As partes coletivas quando evoluídas, segura do que esta realizando, por mais que não tenha sentido naquele momento, não importa, tendo sentido para a pessoa que se manifesta, dificilmente elas não dialogaria, pois quando estamos mergulhados, sintonizados, focalizados na situação, não só mais seguros estamos, mas todo um movimento de ações, sequencias, do não visível se canaliza, e cria raízes, as mesmas que abrirão caminhos para os próximos passos.






O presente é a Presença

O lugar, a cidade em desespero, o espaço em relação as pessoas que o habitam.  Fronteiras. A pessoa habitando este tempo, explosão, dramaticidade de organização. O acumulo de vozes, ruínas, a fala representando o outro; o corpo representando as ruínas, a antiguidade nos engole, cria, nos cria em seres materiais. Busca do i-matério. Abertura de processos; a entrada no espaço; fragmentos de tempos, mosaico espacial. A diferença. Responsa do devir. Agir, refletir e dialogar as diferenças. A troca em forma simbólica. Inconsciente em ebulição, percepção. O ponto de vista, os pontos sem vistas. O corpo receptor, observador do vento, gestos e falas.


O Inviável

 


O início sem fim

 "Se meu ser só toma consciência de si mesmo no instante presente, como não ver que o instante presente é o único domínio no qual se vivencia a realidade? (...) Se nosso coração fosse amplo o bastante para amar a vida em seus pormenores, veríamos que todos os instantes são a um tempo doadores e espoliadores e que uma novidade recente ou trágica, sempre repentina, não cessa de ilustrar a descontinuidade essencial do Tempo." Gaston Bachelard




A proposta da instalação nos “ensaios em detritos”, foi a viajem permanente entre fronteiras, sejam elas individuais ou coletivas, conscientes ou inconscientes, estando livre para o perambular entre os detritos e ruínas do processo de criação do grupo, assim como os núcleos de pesquisas, os ensaios e as demais atividades realizadas no Pinel. Iniciamos a pesquisa através do imaginário em que o real, as situações e circunstância se transformassem de acordo com a proposta coletiva. Ao longo das apresentações percebemos a inclusão do processo da instalação não apenas aos que pesquisavam e executavam a instalação, mas a pesquisa se expandiu e foi incorporada como mais um elemento de pesquisa dos próprios atores que apresentavam as cenas. Pesquisa do espaço em andamento...